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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A DOENÇA E O DOENTE

Meu povo querido,

Segue mais um dos poemas do meu livro CONTOS, CAUSOS E POESIA DE CHICO AMOR XAVIER para o deleite de todos.


A DOENÇA E O DOENTE
Merlânio Maia 

Chico traz de Irmão X 
Uma mensagem potente 
Desvelando a diferença 
Entre a doença e o doente 
Diferenças tão profundas 
Que são da alma oriundas 
Do entendimento total 
Por isso trago a história 
Que guardo em minha memória 
Lá do mundo espiritual 

Conta o querido Irmão X 
Que no seu aprendizado 
Ingressara em nobre grupo 
De amigos desencarnados 
Numa missão socorrista 
De posse de uma lista 
De enfermos num hospital 
Tendo a frente um instrutor 
E inspirados no amor 
Iniciam seu fanal 

Chegando a enfermaria 
Viram o primeiro doente 
De joelhos em oração 
Contrito e obediente 
A pedir: Senhor da luz 
Cura meu corpo Jesus 
Acaba esta dispnéia 
Que outra coisa não farei 
Somente a Ti servirei 
Sem ter na vida outra idéia 

E o segundo implorava 
Com dor abdominal 
Oh! Meu Deus tem compaixão 
Liberta-me desse mal 
Dá-me a santa saúde 
Que mudarei de atitude 
Só farei Tua vontade 
Trabalharei meus defeitos 
Na busca de ser perfeito 
Farei sempre a caridade 

E o terceiro contorcia 
Em terrível dor renal 
Gritava em sudorese: 
- Jesus, santo espiritual 
Salvai-me, Jesus, salvai-me 
Vinde, Senhor, amparai-me 
Dai-me a saúde, Senhor 
Livrai-me da triste sorte 
E servirei até a morte 
Teu Evangelho de amor 

Com artrite e com artrose 
O quarto em crise severa 
Dizia: - Senhor dos mundos 
Socorre-me e recupera 
Oh! Senhor, médico sublime 
Me cura e me redime 
Dá-me a saúde querida 
Que seguirei teu caminho 
Sob aflição e espinho 
Por todo o resto da vida 

O amigo orientador 
Marejou os olhos seus 
Vendo expressões tão belas 
Sobre o Cristo e sobre Deus 
E o grupo emocionado 
Esmerou-se com cuidado 
Pra socorrer e curar 
E pondo-se ao trabalho 
Sem conversa e nem empalho 
Para os enfermos curar 

Assim aquele mentor 
Um conhecedor profundo 
De energias, ondas, fluidos 
Nos órgãos foi mais a fundo 
Sanou vísceras aqui 
Curou disfunções ali 
Renovou células além 
E a cura realizou-se 
E o grupo rejubilou-se 
De poder ter feito o bem 

No dia imediato 
Voltaram ao hospital 
Ao chegar a enfermaria 
A surpresa foi geral 
Melhorados mas sem luz 
Ninguém lembrava Jesus 
Cada um com seus achaques 
Blasfemavam irritados 
Com seus problemas passados 
Vociferavam em ataques 

Dizia o número um: 
- O meu irmão, onde está 
Prometeu vir e não veio 
Mas ele me pagará 
Me deve grande quantia 
E o segundo dizia: 
Quem diabos quer orações 
Eu já estou quase bom 
Em casa eu mudo este tom 
Não preciso de pidões 

E o terceiro reclamava: 
- Quem falou em religião? 
Só quero saber de médico 
O resto eu não quero, não! 
E o outro gritava: - Ô malta 
De lobos, eu quero alta! 
E a chegada do café 
Gritou com a serviçal 
E o grupo espiritual 
Viu a distância da fé 

Ante a mudança havida 
Este grupo entrou em prece 
E assim o supervisor 
Do Hospital comparece 
Com muito humor e bondade 
Explica a necessidade 
Da doença pra os doentes 
Que quebra os pendores seus 
E assim os conduz a Deus 
Pelo sofrimento urgente 

E assim sem mais delongas 
O amigo superior 
Podou energia aqui 
Ali aumentou a dor 
E os doentes combalidos 
À dor foram devolvidos 
Deixando a lição maior 
Pois a luz do sofrimento 
Livra os seres do tormento 
Ou de coisa bem pior 

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